Global Editora lançará "Como Sou", de Thiago de Mello

“Tenho boas antologias em vários idiomas, mas é nos poemas selecionados pela Cecilia Reggiani para a Global que realmente me vejo como sou.” Revela Thiago de Mello, sobre seu próximo livro.

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Thiago de Mello: “O dever do poeta é agarrar o fogo sagrado que vem do divino e envolvê-lo em canto de palavra e entregá-lo ao povo”

Reconhecido por ser um dos mais queridos poetas da atualidade, o autor nasceu em 1926, no município de Barreirinha, Amazonas. Pensou, primeiramente, em ser médico. Veio para o Rio, estudou na Praia Vermelha, mas decidiu seguir a sua vocação literária. Aos 25 anos publicou o seu primeiro livro de poemas, Silêncio e Palavra e, desde então, Nunca mais deixou de lidar com a palavra escrita, seu dom. O autor explica que, na verdade, o poeta já nasce poeta. “Nasci com o ritmo dentro de mim e é da própria vida que nascem os meus poemas. A inspiração vem da vida do homem neste lugar chamado Terra. O que me comove ou me espanta, me dá esperança ou indignação”, relata.

Logo que começou a escrever, Thiago entrou para o círculo dos intelectuais da época, que incluía nomes como os de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. O poeta de Pasárgada foi, segundo Thiago, o responsável por lhe mostrar o “caminho encantado”. “Ao poeta de todos nós, devo muito do que sei. Do que sou”, escreve ao fazer referência à Bandeira no prefácio da obra Poetas da América de Canto Castelhano, uma antologia produzida por ele em doze anos de trabalho incessante e publicada pela Global, em 2011.  A seleção preenche uma lacuna enorme no acervo bibliográfico brasileiro e cumpre importante papel na integração cultural da América Latina.

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“Quero que o escritor respeite, em primeiro lugar, a matéria-prima que ele utiliza que é a palavra escrita.”

O novo livro de Thiago reúne poemas que foram escritos ao longo de sua vida, como relata a editora de literatura para crianças e jovens e selecionadora dos poemas que compõem a antologia, Cecilia Reggiani Lopes. “Primeiro selecionei os poemas que pareciam ideais para o público jovem. Ao lidar com os poemas, tentei organizá-los sob vários aspectos da vida do poeta”, conta. “A batalha política, o lirismo, as relações de família, os amores. Então, emergiram sete fases que remetem à vida do autor. Decidimos não dar título a essas etapas, para que o leitor perceba as mudanças como se apresentaram na própria vida dele. Pessoalmente, a realização desse trabalho foi a redescoberta do poeta sofisticado no construir e simples no dizer.”

Sobre o ofício de escritor, uma das características marcantes nos versos de Thiago Melo é o jeito de escrever com simplicidade na escolha dos vocábulos. “Escrevo para o leitor comum”, enfatiza. “O dever do poeta é agarrar o fogo sagrado que vem do divino e envolvê-lo em canto de palavra e entregá-lo ao povo.”

Quando questionado sobre o que é imprescindível em uma boa obra literária poética, o autor não hesita: “O poeta precisa, em primeiro lugar, dominar o idioma”, analisa. “Quero que o escritor respeite, em primeiro lugar, a matéria-prima que ele utiliza que é a palavra escrita.”

Atualmente, Thiago está trabalhando em dois livros inéditos que pretende lançar em breve. Eu e os outros comigo será um memorial de pessoas que iluminaram a vida do poeta. O outro, ainda sem título definido, é de poemas inéditos, escritos durante os últimos anos, nos quais se deu inteiro à tradução de seus mais queridos poetas da nossa América.  Como escritor apaixonado pelo que faz, Thiago não esconde: “na fogueira do que faço por amor, me queimo inteiro”.

De acordo com Cecilia, realizar a seleção dos poemas de Thiago foi um trabalho delicioso de redescoberta do escritor. “Fiquei feliz quando mandei o texto para Thiago. Ele se viu por completo na seleção e foi ele mesmo quem deu o título”, finaliza.

Veja aqui outras obras do autor, pela Global Editora.