Carlos Castelo fala sobre a obra Damas Turcas

Castelo, autor de Damas Turcas: “Não gosto de enrolar. Dou logo a letra. A vida é muito curta para descrições desnecessárias. Ainda mais para quem mora numa selva chamada São Paulo”.

Com uma obra repleta de mistérios e que promete tirar o fôlego do leitor, Carlos Castelo faz sua estreia em grande estilo na Global Editora, com a obra Damas Turcas. O livro veio para fazer parte da coleção Estante Policiais Paulistanos, uma série de romances acolhida com excepcional receptividade popular. Castelo conta que sempre foi admirador de textos policiais e que, incentivado por um editor, em seis meses desenvolveu o volume.

Como define Adilson Xavier no prefácio, “Damas turcas tem a ver com o famoso jogo em que pedras negras e brancas se digladiam pela sobrevivência. Tem inteligência e leveza de movimentos. Conduz a leitura em pequenos saltos diagonais que nos recompensam com a chegada vitoriosa às linhas adversárias”.

Confira abaixo a entrevista do autor para o site da Global Editora:

– Tendo como base que você foi um dos fundadores do grupo musical Língua de Trapo e autor de sete livros com temática humorística, o que te instigou a escrever a obra Damas Turcas, que pende para o mistério?

Sempre admirei os textos policiais. Aquela matemática toda, o mistério, os desfechos surpreendentes. Durante um tempo, li boa parte da produção de Edgar Allan Poe. Para mim, ele é um dos maiores contistas de todos os tempos. Contudo, confesso que não tinha uma intenção mais específica de fazer uma novela policial. Fui procurar o editor Quartim de Moraes para lhe mostrar uma seleção de crônicas que eu havia publicado na imprensa e no meu site. Ele me disse que não estava tencionando editar nada nessa área. Aliás, ninguém tenciona editar contos. A não ser que sejam do Rubem Fonseca, do Sérgio Sant’Anna ou de algum outro nome muito bem estabelecido. Mas o Quartim tinha uma coleção de novelas policiais cujas histórias deveriam ser ambientadas na cidade de São Paulo que precisava de autores. Fiquei com aquilo na cabeça. Sem São Paulo eu nunca seria um escritor. Foi por isso que, dias depois, resolvi lhe mandar uma sinopse. Ele gostou da história e pediu que eu a desenvolvesse.

– O que os leitores podem esperar do livro?

Procurei criar uma narrativa sedutora. Mas também com personagens sólidos. Isso, às vezes, não acontece nos romances policiais. Parece que o fundamental é descobrir quem praticou o crime “x” e não a psicologia de quem transita por aquele universo. Em “Damas Turcas” tive essa preocupação. E também a de mostrar o lado da cidade de São Paulo onde vivo.

Penso que os leitores ainda poderão tomar contato no livro com um determinado universo da música paulistana e da publicidade, dois territórios que acabei por conhecer mais detidamente por razões profissionais.

Por que o título Damas turcas?

Um dos personagens centrais do livro, o Ruy Levino, aprecia jogar damas. Especialmente a modalidade “damas turcas”. Essa maneira de jogar teria surgido na Espanha em 1570 e possui regras um pouco diferentes das “damas” tradicionais. Achei o nome intrigante. E esta forma de jogar muito curiosa. No fundo eu também gosto de jogar damas. E coloquei um pouco do meu gosto no personagem. Fora isso, a história também lembra um pouco um jogo.

– Um dos personagens do livro tem características cômicas. Foi proposital ter um personagem assim?

Muitos personagens do livro têm características cômicas. Há o investigador Hayashi com seu forte sotaque interiorano e sua mania de frequentar casas de massagem. O ex-publicitário Ruy Levino que precisa, pela primeira vez, ajudar a solucionar um crime e, além de sofrer de TOC, precisa administrar a bipolaridade da esposa durante esse período. São personagens tragicômicas dentro de uma São Paulo tragicômica.

– Existe algum outro projeto em andamento?

Acabei de escrever uma história infantil. O lançamento está previsto para 2013. É a minha primeira experiência escrevendo para crianças. O interessante é que, para fazer esse livro, contei com a “consultoria” do meu filho João, de oito anos. Eu não poderia arrumar um parceiro mais interessado, crítico e exigente do que ele.

– Existe outro gênero sobre o qual você gostaria de escrever?

Estou começando uma trilogia de livros de contos. Tenho um romance parado no meio justamente por acreditar que a minha vocação é mais o conto, a crônica, em suma, o texto mais denso e curto. Mesmo “Damas turcas”, apesar de ser uma novela policial, tem a brevidade e a contundência desse gênero. Não gosto de enrolar. Dou logo a letra. A vida é muito curta para descrições desnecessárias. Ainda mais para quem mora numa selva chamada São Paulo.