Conversas geniais: Gilberto Freyre e Manuel Bandeira

Em 1925, Manuel Bandeira já era um grande poeta do país, mas faltavam cinco anos ainda para lançar Libertinagem, seu livro de afirmação, grande referência de sua obra. E somente em 1933 Gilberto Freyre lançaria Casa-Grande & Senzala, um clássico que na época revolucionou as ciências sociais do Brasil e ainda hoje é revelador. Dois livros e dois autores que são parte do patrimônio intelectual do país. E que conversam, como dois grandes amigos que os recifenses eram. Esse papo, muitas vezes descontraído, outras iluminando questões importantes de nossa cultura, agora pode ser “bisbilhotado” por todos nós, no livro Cartas provincianas – correspondência entre Gilberto Freyre e Manuel Bandeira (Global Editora), organizado por Silvana Moreli Vicente Dias.

No vídeo, a organizadora da obra, Silvana Moreli, e a filha do sociólogo, Sônia Freyre (presidente da Fundação Gilberto Freyre), apresentam o livro e a amizade entre esses gênios brasileiros.

Stanford, 9 de junho de 1931

                Dear Flag: Sinto-me um mulambo. Acabo de ler, anotando, retificando, marcando com lápis [ilegível] cinquenta blue book, como aqui chamam aos cadernos de exame ou cadernos de 32 páginas! Alguns estudantes espalharam-se em 2 cadernos. Posso dizer que o curso foi um sucesso. […] Na província, a nostalgia do grande mundo não me deixará de todo; as memórias, que estavam secando, abriram-se de novo em verdadeiras feridas. Meu caro Flag, desculpe tanta literatura; não é só literatura.

                Abraços do Gilberto

***

Rio de Janeiro, 20 de março de 1934

Gilberto,

                Não lhe tenho escrito porque andei tão cansado de bater na máquina, traduzindo um catatau alemão para a Civilização Brasileira, que acabada a tarefa do dia (6 horas em média) não tinha força nem para uma cartinha a um amigo.

                […]

                Adeus, modesto sociólogo. Ando com saudades de você. Quando atravessaremos juntos de novo a Praça Jaime Ovalle (antigo Largo da Lapa)? Talvez breve, pois os editores andam atrás do Rodrigo para conseguir do sociólogo a continuação de Casa-Grande. Um abraço do

                Flag

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