Thiago de Mello – série #EuSouGlobal

Thiago de Mello foi diplomata. Mas, ao Golpe de 64, em contragolpe demitiu-se. O Brasil que representa não é o oficial do momento, é o Brasil profundo, verdadeiro, amazônico. Nasceu em Barreirinha, Amazonas, no ano de 1926, poeta já e poeta para sempre. Conviveu com Manuel Bandeira, com Vinicius, com Drummond, foi amigo próximo de Pablo Neruda. É uma ponte entre a poesia brasileira dos séculos XX e XXI, mais que pela forma, pela vida. Pela Global Editora tem publicadas as coletâneas Como sou e Melhores Poemas, além de Acerto de contas e Faz escuro mas eu canto. Também organizou uma coletânea de poetas dos países hispânicos da América Latina, traduzidos por ele: Poetas da América de canto castelhano.

Thiago canta o amor e a fome com a mesma intensidade e lirismo. Não aceita ser chamado de senhor, mas pede: “me chame de companheiro”.

A raiz
A Moacyr Felix

Num campo de silêncio
onde pastam manhãs
estou pelo que sou.
Canção azul de cobre
me chega pelo vento:
em sua dor me deito.
Um espesso lençol
com ternura de pinhos
enrola o coração.
O sangue levanta
no espaço bandeiras
de fogo e limão.
Até a pedra entrega
seus ásperos segredos
ao cristalino dia.
A raiz arranca
com sua garra de amor
a rosa do meu peito.
E reparto o diamante
que a infância me deu

Punta del Este, 62,
na casa de Alberto Mantaras,
com Mario Benedetti, irmão.

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