Os elefantes engrandecem tanto a gente

A Global Editora enriqueceu seu leque já amplo de literatura brasileira com o Elefante, de Bartolomeu Campos de Queirós. Ele faz parte agora de uma manada que já circulava pelo catálogo: Minha mãe, a elefanta, da mineira Rita Espeschit, com ilustrações de Ricardo Azevedo, Jornal falado, de Antonieta Dias de Moraes, Um elefante…, de Cláudia Ramos e A televisão da bicharada de Sidónio Muralha.

O elefante de Rita é uma elefanta. Enorme. É a mãe do garoto que narra a história e mora dentro de um shopping center. A história é fantástica, metafórica que ela só, dando aos leitores muitas possibilidades de fantasiar e interpretar. Já o elefante de Cláudia, destinado a leitores mais iniciantes, faz parte de uma narrativa de imagens, onde uma menina apronta para cima tanto do paquiderme quanto de uma foca, em traços leves e divertidos – aqueles desenhos que dão a ilusão de que qualquer pessoa pode desenhar e assim provocam identificação e proximidade com quem lê (ilusão mesmo, que há de se ter muito talento para causar).

Já o elefante de Antonieta Dias de Moraes habita um dos poemas do livro Jornal falado: “O rato e o elefante”.

Um elefante ia andando
por um caminho de terra,
grossas patas avançando,
com calma, porém depressa.

Nem ouvia o falatório
de um rato cinza do mato,
em disparada a seu lado.

O ratinho lhe pedia
que o carregasse nas costas;
o elefante nem ouvia
e sequer lhe dava bola.

Não tendo resposta, o rato,
cansado da correria,
de tanto correr estrada,
para muito admirado.
– Amigo elefante – grita –
veja só que poeirada
eu levanto quando passo!

Em A televisão da bicharada, o nosso amigo elefante é tão grande que até cabe na televisão!

A grandeza do elefante que o rato tomou emprestada dá lugar a uma pequenez grandiosa na prosa poética de Bartolomeu Campos de Queirós. Esse Elefante é uma beleza, um sonho mesmo.

“Eu sabia que tudo era sonho, mas não queria acordar. Busquei me proteger debaixo da asa da liberdade para não interromper a história que vivia sem escolher. É preciso se aninhar na liberdade para ganhar coragem e voar. Estendi a mão, e meu mínimo amigo subiu na palma. Aproximei meus olhos e vi na minha mão um elefantinho, tão pequetitinho que com um simples sopro eu poderia assustá-lo. Prendi a respiração para não sufocar tamanha delicadeza.”

Elefantada

Outras editoras cuidam de mais elefantes na literatura mundial – e deixemos o simpático e disneylândico Dumbo de fora disso. Trata-se de uma manada de respeito. Cada um de jeito muito próprio, mais diferente entre um e outro que as trombas e grandes orelhas sugerem.

Carlos Drummond de Andrade tem um poema chamado “Elefante” no livro A rosa do povo: “A cola vai fixar/ suas orelhas pensas./ A tromba se enovela,/ e é a parte mais feliz/ de sua arquitetura.” O grande poeta brasileiro ainda tem um infantil cujo personagem é um elefante apaixonado por uma pulga, em História de dois amores. Drummond hoje em dia é publicado pela Companhia das Letras.

Elefante é também o nome de um livro lançado em 2000 pelo poeta Francisco Alvim, notável por sua concisão e ironia social.

A viagem do elefante é uma das obras mais famosas do único prêmio Nobel em língua portuguesa até hoje, José Saramago, que conta a jornada de um elefante e seu cuidador através de uma Europa de um tempo sem trens, entre Portugal e Áustria, baseada em fatos históricos reais.

Para terminar, cabe (ou não cabe, mas assim mesmo…) citar “Colinas como elefantes brancos”, conto dos mais famosos do norte-americano Ernest Hemingway, que entra nessa lista muito mais pelo título que pela presença de um elefante no texto. A aceitação numa manada tem desses mistérios.

Depois desse post, colecionar elefantes de enfeite perdeu a graça. Inaugure sua coleção de elefantes em livros. Com certeza há muitos outros nas prateleiras de livrarias e bibliotecas.

E logo logo chegamos com jacarés por aqui.

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