Alcântara Machado: texto bom é eterno

Ler os contos de António de Alcântara Machado é como ler algo escrito hoje sobre o passado. A linguagem é direta, econômica. Sagaz. Períodos curtos, uma bem-vinda repetição de palavras-chave em algumas frases, ironia e oralidade. Como os judeus de Nova York são o alvo do olhar de Woody Allen no cinema, os italianos de São Paulo são o de Alcântara Machado – com riso e choro. E o comportamento da sociedade que está retratada nessa nova edição de Melhores Contos – António de Alcântara Machado (Global Editora) ainda ecoa por aí –  quem lê não tem dificuldade de escutar.

Todos os contos das duas grandes obras do escritor estão reunidos nesse volume: de Brás, Bexiga e Barra Funda e Laranja da China. O responsável pela seleção e apresentação do livro é o professor doutor Marcos Antonio de Moraes, do IEB – Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Nesta entrevista, ele analisa a relevância dos textos de Alcântara Machado, escritos na década de 20 do século passado, quase cem anos depois.